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"Leitura: Um aliado para a criatividade ou apenas aquisição de conhecimentos?"

 

Por Marcia Oliveira

 

Em tempo de bienal...

Passear por aquele enorme mundo de fantasia me fez tão bem!!!

 

Sou uma pessoa ávida por livros. Gosto principalmente dos romances e biografias. O conhecimento, a aquisição de vocabulário e as histórias lidas me dão muito mais prazer do que assistir a um filme, embora eu admita que um bom filme também é uma ótima forma de cultura. Algumas vezes me permiti utilizar o modesto conhecimento que adquiri através da leitura em meus atendimentos e confesso que gostei. Junto com meus clientes pude fantasiar, compartilhar e fazer metáforas importantes para auxiliá-los no alcance da awareness.

 

Através da prática da leitura, pude descobrir que nossos precursores, Paul Goodman, Laura Perls e Fritz Perls eram muito ligados a cultura, literatura e filosofia.

Cada terapeuta desenvolve de forma única sua personalidade profissional, no entanto não podemos ignorar o fato dessas importantes figuras serem referências na construção cultural do psicoterapeuta.

 

A cada linha que lemos, de qualquer que seja o tema, nós nos transformamos e adquirimos experiências novas, podendo transformá-las em instrumentos da prática psicoterápica, que nos permitem inovar e contribuir com aqueles que nos confiam seus sentimentos e parte de suas vidas.

Geralmente os terapeutas de formação fenomenológica utilizam a criatividade como um dos instrumentos de trabalho. Diante disso, a problemática a ser debatida nesse trabalho, versa acerca da importância do hábito da leitura na formação do psicoterapeuta de formação fenomenológica.

 

De acordo com Garcia (2009), Os Gestalt-Terapeutas possuem recursos pessoais internos e externos que os permitem realizar o seu trabalho. Cabe a cada um saber utilizá-los de acordo com a sua inteligência, intuição, experiência e bagagem profissional. 

 

Mas e porque a criatividade é tão importante para a formação do terapeuta?

 

Não há como o terapeuta desenvolver um bom trabalho se ele não puder criar. Para Zinker (2007) no primeiro capítulo dá a permissão para o terapeuta criar e diz que para sermos criativos precisamos de coragem, correr riscos, romper barreiras e limites para confirmarmos a nossa essência enquanto seres humanos.

Enquanto estamos sendo criativos podemos fracassar, ser ridículos o importante é experienciar uma novidade.

 

O ato criativo é uma necessidade tão básica quanto respirar ou fazer amor. Somos impelidos a criar. Devemos correr o risco de projetar nossas imagens mais pessoais e idiossincráticas em objetos, palavras e outros símbolos – a mesma espécie de risco que corremos ai amar alguém. (Zinker 2007, p.22).

 

            Polster (2001) fala que o terapeuta é seu próprio instrumento de trabalho, pois o terapeuta precisa estar ligado à pessoa com quem está conectado sendo assim o terapeuta é um artista que age a partir de seus sentimentos, ele se transforma diante do que está acontecendo (p.35), e dessa forma estará livre para sentir e criar

 

Além disso, é importante que o terapeuta trabalhe livremente, porque do contrário, ele arrisca a entorpecer seu principal instrumento – ele mesmo. (Polster, 2001, p.38).

 

Zinker também fala que a Gestalt-terapia é uma permissão para ser criativo, pois utilizamos o método do experimento como uma ferramenta fenomenológica para alcançar uma nova forma de funcionamento.                                

                                

Em nossa sociedade, não há muito espaço para a imaginação e a fantasia. Desempenhamos papéis repetitivos, aceitamos certos padrões (em busca de confirmação e aceitação externa), de como deveríamos agir e sentir, que nos impedem de crescer espontaneamente e aprender com nossas próprias experiências. Dessa maneira, abrimos mão de nos conhecermos verdadeiramente, gastamos energia (que poderia ser utilizada na criatividade), negando ou não reconhecendo aspectos e características em nós mesmos. (Garcia, 2009, p.34)

 

 

Nachmanivitch (1993) acredita que o aprendizado e a evolução dependem do divertimento, pois ele diz que o improviso, a composição, a literatura, a pintura, o teatro, a invenção e todos os atos criativos são formas de diversão, e que é o ponto de partida da criatividade no ciclo do desenvolvimento humano e uma das funções vitais básicas.

 

A mente criativa brinca com os objetos que ama. O pintor brinca com a cor e o espaço. O músico brinca com o som e o silêncio. Eros brinca com os amantes. Os deuses brincam com o universo. As crianças brincam com qualquer coisa em que possam pôr as mãos. (Nechmanovitch, 1993, p.49).

 

Ainda falando de arte, Nachmanovitch diz que a plena criatividade acontece através da técnica, o adulto através da criança que há dentro dele é capaz de entrar em contato com sua fonte de prazer.

           

De acordo com Lucca, in D’Acri, (2007) nos fala sobre a espontaneidade como uma atitude que dá ao terapeuta a licença para focalizar o aqui e agora da relação dialógica, desenvolver o auto suporte e é uma conquista fundamental a ser alcançada pelos gestalt-terapeutas.

 

Diante de tudo isso, fica claro que a minha fonte principal de criatividade e cultura está na leitura! E a sua, de onde vem?

 

Revisão bibliográfica breve

 

1.      AGUIAR, Luciana.  Gestalt-terapia com crianças – Teoria e prática. Editora Livro Pleno, 2005

2.      CARDELLA, Beatriz H. P. A construção do psicoterapeuta – Uma abordagem gestáltica. Editora Summus, 2002

3.      D’ACRI, Gladys, LIMA, Patrícia e ORGLER, Sheila.  Dicionário de Gestalt-Terapia “Gestaltês”, Editora Summus, 2007

4.      Enright, John B. IN: FAGAN, Joen e SHEPHERD, Irma Lee  Gestalt-terapia – Editora Zahar, 1980

5.      FOUCALT, Michael. A ordem do discurso, 12º edição – Editora Loyola, 2005

6.      GARCIA, Vanessa Nascimento. A importância dos recursos pessoais do psicoterapeuta gestáltico em sua prática psicoterápica. Pesquisa monográfica apresentada como requisito para a obtenção do grau de especialista em Gestalt-Terapia., CGT, 2009

7.      MILLER, Alice. O Drama da criança bem dotada – Editora Summus, 1997

8.      Nachmanovitch, Stephen. Ser criativo. Editora Summus, 1993.

9.      PERLS, Frederick S. Ego, fome e agressão. Editora Summus, 2002

10.  PERLS, Frederick S. Escarafunchando Fritz- Dentro e fora da lata do lixo, Editora Summus, 1979

11.  POLSTER, Erving e POLSTER, Miriam. Gestalt-terapia integrada, Editora Summus, 2001

12.  ZINKER, Joseph. Processo criativo em gestalt-terapia, Editora Summus, 2007

 

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