Sempre usei essa expressão, mas nunca tinha parado para pensar com carinho. Até que essa semana alguém me perguntou o que significava músculo da alma. Resolvi pensar no que significa de fato.
Músculos da alma são as emoções que sentimos, ou acreditamos sentir.
Nem sempre expressamos o que sentimos de verdade, em muitos momentos sequer sabemos o que sentimos. Estamos tão desconectados com nossas emoções que nem sabemos qual desses músculos trabalha em que momentos. Os sentimentos e as emoções ficam confusas, temos atitudes que não entendemos porque tivemos. Quem nunca se perguntou: “pra quê que eu fiz isso?”, “porque eu falei aquilo, não era o que eu estava pensando”.
Trabalhar os músculos da alma é entrar em contato com nossas emoções e sentimentos sem medo de descobrir que pode ter algum músculo machucado.
O machucado da pela só cura se cuidarmos dele, tem que limpar, mexer, colocar remédio ardido. Com os músculos da alma acontece a mesma coisa. Se não cuidarmos do machucado da pele ele pode infeccionar e ficar mais dolorido do que já está, se não cuidarmos dos machucados da alma eles também podem infeccionar.
Os machucados da alma não são vistos, apenas sentidos, e o ser humanos é tão adaptável que é capaz de fingir que não existe tal machucado.
O fingimento da não existência desse machucado é o mesmo que jogar a sujeito para debaixo do tapete. Não vemos a sujeira, mas ela existe, o tapete vai ficando cheio de ondulações, passamos tanto tempo tentando não tropeçar nessas ondulações. No dia que a gente relaxa e tropeça o tombo é muito dolorido, e a sujeira que a fingíamos que não existia fica estampada nas nossas caras.
Feridas mal curadas incomodam mais do que feridas abertas, pois elas voltam a doer e sangrar quando achamos que já estão cicatrizadas. Em muitos momentos sentimos angustia, medo, sem saber de que ou porquê, na verdade são essas “sujeiras” vindo a tona, machucados que voltaram a sangrar, mas tem tantos machucados, tanta sujeira, que não conseguimos encontrar qual está sangrando e qual sujeira devemos limpar.
Machucados cuidados e curados viram cicatrizes, que nos ajudam a contar nossa historia. Machucados esquecidos infeccionam, doem mais e sangram mais.
Deixo vocês com uma pergunta bem perturbadora.
O que é melhor, cuidar da ferida de uma vez, mesmo sabendo que pode doer e sangrar, ou correr o risco delas abrirem novamente, quando menos esperamos?