O presente trabalho tem como objetivo um aprofundamento teórico sobre o fenômeno da mentira no sentido de favorecer o desenvolvimento de práticas terapêuticas que possibilitem o equilíbrio da pessoa que mente e consequentemente o abandono desse tipo de estratégia como recurso para a auto-regulação. É apresentado o conceito de mentira, os tipos de mentira e patologias relacionadas à mentira. O estudo segue o referencial teórico da Gestalt-terapia, apresentando uma breve descrição sobre a teoria organísmica, as formas de auto-regulação organísmica e deverística, e do ajustamento criativo como forma de auto-regulação, destacando as maneiras saudáveis e não saudáveis que o indivíduo encontra para satisfazer as necessidades do seu organismo. O trabalho também focaliza a importância da responsabilidade do indivíduo sobre seus atos e de sua existência e levanta a possibilidade de haver uma situação inacabada que leva o indivíduo a mentir. Os diferentes tipos de doenças que envolvem mentiras excessivas são também relacionados aos comportamentos compulsivos como uma forma de compreender os movimentos generalizados, cristalizados e por conseqüência, repetitivos. Por fim, uma proposta terapêutica, através de detalhes como o papel do terapeuta, suas ações, sensações e sentimentos, coisas que fazem a diferença numa sessão terapêutica, bem como das possíveis mudanças durante o processo da terapia.